Um fragmento de observação

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O ar cinza é espesso com anúncios difratados,
arco-íris de plástico que caem através de calhas,
além da barreira hematoencefálica,
fazendo osmose com a psicose.

Adolescentes se amontoam em um banco do parque
apesar do calor do céu azul, transmitindo uma
passagem do tempo em um sinal de fumaça,
rindo de formas aleatórias nas nuvens
como se eles não pudessem ser atingidos por um raio.

Constelações flutuam na tensão superficial do silêncio
enquanto o oceano dorme, flutuando em ondas
nas costas de uma baleia jubarte enquanto respira.

Vejo como o potencial se transforma em certeza,
dicotomias conquistam possibilidades
e ondas parecem partículas.

Um espelho na escuridão é o mais verdadeiro
reflexo de que temos domínio de nossa existência.

Somos pó, conscientes da vassoura.

Caleidoscópio Encefálico Caleidoscópio Encefálico
Laura Esteves

Laura Esteves

Laura Esteves constrói mundos com palavras, e desmonta os que já existem. Escreve sobre o que dói, o que transforma e o que se recusa a ser esquecido. Escreve sobre amor, identidade e os sistemas que insistem em nos definir.

Acredita que a literatura é o único lugar onde a verdade não precisa pedir licença. Seus textos nascem da certeza de que toda história contada com coragem é um ato de liberdade; para quem escreve e para quem lê.