Felicidade ilusória
A dualidade, o temer da escolha,
A incapacidade do fraco
De romper sua própria bolha,
De enxergar além do buraco.
Mas uma escolha, sábia e sutil,
Dos que fingem plena paz,
Esconde o vazio febril
Que até o mais sagaz desfaz.
Buscar sentimentos — insensatez,
Na esperança de alento e calor,
Mas o amor, quando contínuo,
Se transmuta em dor e torpor.
Promessas doces ao ouvido,
Mentiras vestidas de cor,
Nos vendem um paraíso perdido
Que dissolve ao menor tremor.
A intensidade se faz chama,
A fantasia é o que impera,
Num teatro onde a alma clama
Por verdade que já não espera.
Pois a tal felicidade — quimera —
Habita o efêmero, o fugaz,
Surge leve como primavera,
Mas nunca, nunca permanece em paz.




