O sexo e o bom dia
Por que o bom dia é um ritual rotineiro e o sexo, não? Por que custa mais caro?
Por que o bom dia é um simples aceno cotidiano, enquanto o sexo, para muitas, carrega um peso tão desproporcional? A resposta, intricada em séculos de patriarcado, impõe um preço alto para as mulheres.
Em uma sociedade marcada ainda por fortes traços de machismo, a mulher é erroneamente vista como uma entidade pura, quase celestial, que só deveria se entregar ao ato sexual com o objetivo de cumprir sua função mais antiga e primordial: a procriação. Este pensamento não apenas restringe a liberdade sexual feminina, mas também perpetua uma série de injustiças e desigualdades.
Observemos o ciclo de infelicidades no qual muitos relacionamentos heteronormativos estão presos. Comumente, vê-se homens que se apaixonam por uma mulher não por quem ela é, mas pelas curvas do seu corpo. Movidos pelo medo de perder essa “posse”, acabam por aprisioná-la em um papel doméstico, limitando suas vestes e apagando seu brilho pessoal. O homem, não mais estimulado pelo que ele mesmo transformou em um “trambolho doméstico”, busca então uma nova parceira que ainda não foi despojada de sua vivacidade.
Mas qual o valor de algo que é intrinsecamente efêmero? Essa nova mulher, igualmente, em breve passará pelo mesmo processo de esvaziamento e troca. É um círculo vicioso que reflete a falta de maturidade e entendimento sobre as dinâmicas saudáveis de um relacionamento.
Mulheres, entendam que sua sexualidade não é moeda de troca, nem sinônimo de perdição. É, antes, uma fonte de poder e autodefinição. Rejeitem qualquer homem que não respeite sua integridade e liberdade. Se Darwin falava em sobrevivência do mais adaptado, então, senhoras, não permitam que homens imaturos e desrespeitosos perpetuem seus legados.
Cuidado, homens de ontem e de hoje, com os ciclos destrutivos que criam. É fundamental redescobrir e respeitar a mulher como um ser integral, não um objeto substituível.
A vida, de fato, é complexa. Mas o sexo, quando compartilhado com respeito e igualdade, deveria ser uma celebração da conexão humana, e não apenas uma transação emoldurada por arcaísmos morais. Pensemos juntos em como romper esses ciclos, criando relacionamentos que se sustentam no empoderamento mútuo e no respeito profundo.




