Eu sou perturbada

post-thumb

Eu sou perturbada com o sol que se esconde entre as nuvens, eu sou perturbada com os sorrisos das pessoas que permanecem ocultos, sou perturbada com as folhas que não deveriam cair nos momentos mais difíceis.

Eu sou perturbada quando vejo pessoas morrendo de fome, enquanto passo na rua e empresas jogam comida na sarjeta. Sou perturbada com a política que sempre nos abocanha com novas artimanhas que nunca nos leva a solução e sim, sempre a um novo vazio.

Eu sou perturbada com o futuro, pois sei que no presente devemos separar um tempo para pensar adiante, e poucos o fazem. Eu sou perturbada com a falta de sentimentos com que lidamos com outro ser humano, somente por ser desconhecido.

Eu sou perturbada até mesmo com essas pessoas que deixam se esvair sua dignidade, seu bem mais precioso, para ser aceitas em qualquer esfera social mesmo que, não necessariamente se sinta parte ou mesmo, goste. É ser hipócrita consigo mesmo, com sua alma, com seu ser, com sua existência. É deixar de existir.

Eu sou perturbada com as rosas que teimam em murchar, com o clima que sempre esfria no momento mais impróprio, sou perturbada com o tempo que me faz seu refém nas horas em que mais preciso dele para mim, sou perturbada com tudo o que não perturba ninguém.

Eu sou perturbada.

Mas amo a vida e ela me ama, só falta agora oficializar.

Ermitão Urbano Ermitão Urbano
Laura Esteves

Laura Esteves

Laura Esteves constrói mundos com palavras, e desmonta os que já existem. Escreve sobre o que dói, o que transforma e o que se recusa a ser esquecido. Escreve sobre amor, identidade e os sistemas que insistem em nos definir.

Acredita que a literatura é o único lugar onde a verdade não precisa pedir licença. Seus textos nascem da certeza de que toda história contada com coragem é um ato de liberdade; para quem escreve e para quem lê.