O ópio do poeta

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Não importa o dado, a afirmação, o axioma e a certeza, sempre haverá alguém para se opor, como o último mártir do contra, o iluminado, o solucionador de problemas do mundo. Ainda que fossem todas as pessoas felizes e honestas, ainda que vivêssemos em um mundo utópico de sonhos realizados, haveria um vago calhorda, um triste irrealizado, patife insatisfeito que poria tudo a prova, questionaria o bem em perfeita harmonia.

Tantos abraços longos, calor fraterno e sorrisos largos, já sem brilho devido ao uso abusivo.

O poeta do contra só sabe dizer que não confia no vento que acalma, no mar que agita, no amor que se rompe e em pessoas felizes, nem em quem finge ser feliz, pois perigosos lhe parecem.

Uns poetas fogem da alegria do mundo.

Outros a enxergam e a descobrem todos os dias.

É uma questão de escolha, de poesia.

De… de alegria.

O ópio do poeta muitas vezes é o lirismo.

Ermitão Urbano Ermitão Urbano
Laura Esteves

Laura Esteves

Laura Esteves constrói mundos com palavras, e desmonta os que já existem. Escreve sobre o que dói, o que transforma e o que se recusa a ser esquecido. Escreve sobre amor, identidade e os sistemas que insistem em nos definir.

Acredita que a literatura é o único lugar onde a verdade não precisa pedir licença. Seus textos nascem da certeza de que toda história contada com coragem é um ato de liberdade; para quem escreve e para quem lê.