XII. Julgai-vos a si mesmos

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Porque julgamos as pessoas se não temos conhecimento pleno e absoluto da realidade alheia?

“Aquele sapato é falso, certeza”

A necessidade de julgar o outro, sempre parte de si mesmo. Preste atenção, você mulher, que ao criticar um sapato ou cabelo alheio mentalmente, quase sempre o faz pois tem inveja, afinal a verdade é que você queria ocupar um resquício da realidade alheia.

“Ou é dinheiro… ou é prima!”

Porra homem, ao ver um amigo ou conhecido com uma mulher lindíssima, às vezes, você pensa que o mesmo a ganhou por méritos próprios.

Preste atenção juntos, agora! Uma bela mulher passa com um homem em um carro conversível, na hora a mulher pensa que é puro interesse da outra no dinheiro do cara e os homens pensam que o cara está com a “gostosinha” só porque tem dinheiro.

Será que nós não explicitamos toda nossa realidade quando falamos?

“Julgue um homem pelas suas perguntas, não pelas suas respostas.”

– Voltaire.

Talvez ele tenha razão, sempre que compartilhamos nossa opinião com o “mundo exterior” a nós mesmos, damos vazão a nossa personalidade, aos nossos valores e a nossa dignidade; que se sentem livres para vagar ou cativar aqueles que nos cercam.

Às vezes, acho que nossas palavras são não mais que um espelho da nossa alma, externando tudo o que sentimos, ouvimos, entendemos e pensamos. Se a nossa convicção, a nossa alma, os nossos sentimentos não podem ser contidos neste pedaço de carne chamado corpo, para que teimar?

Freud explica: nós, seres humanos, invariavelmente tendemos a ver nos outros aquilo que, embora intimamente desejemos, não temos coragem de assumir. Me resta sonhar para que as pessoas parem de julgar os semelhantes como julgam a si mesmos. E pior, parem de se julgar impiedosamente. Querer demasiadamente viver algo que não é a sua realidade, isso lhe fará perder a sua própria.

Acho que é isso. Vou guardar o resto da loucura que sobrou em um tápoé de 1,99 da feira e ser feliz por ora.

Ermitão Urbano Ermitão Urbano
Laura Esteves

Laura Esteves

Laura Esteves constrói mundos com palavras, e desmonta os que já existem. Escreve sobre o que dói, o que transforma e o que se recusa a ser esquecido. Escreve sobre amor, identidade e os sistemas que insistem em nos definir.

Acredita que a literatura é o único lugar onde a verdade não precisa pedir licença. Seus textos nascem da certeza de que toda história contada com coragem é um ato de liberdade; para quem escreve e para quem lê.