O tempo em ti
Incapaz
De
Contar horas me
Rendi a contar
Lapsos sem você
Em minha
Vida
Minutos não existem
Quando teu nome
Não atravessa
O ar
Relógios são objetos inúteis
Se teu riso
Não marca
O instante
Eu desaprendi
A matemática
Dos ponteiros
E passei a medir
O mundo
Pela ausência
Segundos tornam-se abismos
Quando tua presença
Não os preenche
Dias
São superfícies opacas
Sem o reflexo
Do teu olhar
E eu
Que antes calculava
Compromissos
Datas
Promessas
Hoje apenas
Somatizo silêncios
O calendário perdeu sentido
Desde que teu toque
Não inaugura
As manhãs
As noites
Alongam-se
Como corredores vazios
E eu caminho
Contando
Não as horas
Mas os espaços
Onde você
Deveria estar
O tempo deixou de ser linha
Virou ferida
Virou intervalo
Virou espera
E se me perguntam
Que horas são
Respondo apenas
Que é tarde
Tarde
Desde que você
Não está
Porque o tempo em ti
Era pulsação
E sem ti
Ele é ruído
É estático
É uma eternidade
Que não passa
E eu
Incapaz
De contar horas
Rendo-me
Outra vez
A contar
O que falta
De você
Em mim.




