A teoria do nunca mais

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Existe uma teoria chamada “O Último Encontro”. Dizem que quando duas pessoas que se amaram muito encerram seu ciclo e aprendem o que precisavam uma com a outra, o universo garante que elas nunca mais se vejam. Não por maldade, mas porque aquele capítulo cumpriu seu papel. E seguir em frente exige ausência.

Às vezes eu penso nisso, deitada sozinha na cama onde ela costumava dormir. O lençol que não puxa mais do meu lado. O silêncio onde antes havia riso. A ausência onde antes havia abraço. A teoria faz sentido, mas meu coração não consegue aceitar tão fácil. Eu sei que a gente terminou por motivos que talvez o amor não possa consertar. Eu mudei. Ela não conseguiu me acompanhar. Mas o que me destrói é pensar que o universo pode realmente ter selado esse adeus. Como se tivesse dito: chega. Vocês já aprenderam. Agora é cada uma por si.

Mesmo assim, eu anseio. Não por um recomeço. Não por desfazer o que já foi feito. Mas por aquele último encontro. Aquele que vem depois da dor, quando os olhos se reconhecem de um jeito diferente. Sem promessas, sem tentativas desesperadas de voltar. Só o olhar limpo de duas pessoas que se amaram e que agora sabem que vão seguir em paz. Eu sonho com isso. Com vê-la mais uma vez. Escutar sua voz sem que ela me doa. Saber que ela está bem. Que eu estou bem. Que o amor foi real, mesmo que não tenha sido eterno.

Se for verdade que o universo impede, então talvez seja mesmo melhor assim. Talvez reencontrá-la fosse como abrir uma ferida que já está tentando cicatrizar. Mas enquanto eu respiro, enquanto carrego o nome que é meu e o corpo que finalmente habito em paz, uma parte de mim ainda guarda esperança. Uma esperança quieta, sem alarde. A esperança de que, um dia, por acaso ou milagre, nossas almas se cruzem de novo. Nem que seja só pra dizer adeus com um sorriso.

Tecendo Transições Tecendo Transições
Laura Esteves

Laura Esteves

Laura Esteves constrói mundos com palavras, e desmonta os que já existem. Escreve sobre o que dói, o que transforma e o que se recusa a ser esquecido. Escreve sobre amor, identidade e os sistemas que insistem em nos definir.

Acredita que a literatura é o único lugar onde a verdade não precisa pedir licença. Seus textos nascem da certeza de que toda história contada com coragem é um ato de liberdade; para quem escreve e para quem lê.