Entre o frio e o afeto
Estar solteira não é ausência de amor; às vezes, é só um intervalo bonito entre o que passou e o que ainda está por vir. Um tempo em que a gente aprende a se acolher, a fazer café só pra si e achar graça no silêncio da casa. Descobre que existe amor também nos detalhes: no travesseiro macio, na playlist que entende a gente, no sol entrando pela janela como quem diz “tá tudo bem”.
Quando o frio aperta, a gente sente falta das pequenas coisas que aquecem mais que qualquer cobertor: um pé suado debaixo da coberta, um abraço lento em conchinha, um sussurro no ouvido dizendo “eu te amo”. Coisas simples, quase invisíveis, mas que preenchem o peito e fazem a alma respirar mais devagar.
Tem dias em que dá saudade do colo, da risada dividida na cama. Mas tem outros em que a liberdade é tão gostosa quanto um banho quente demorado no fim do dia. A gente vai se encontrando, se cuidando, e entendendo que o amor (quando vier e se vier) não vem pra preencher o que falta, mas pra transbordar o que já existe.
Enquanto isso, sigo com flores na mesa, vinho barato, mensagens bonitas das amigas e a certeza de que ser minha companhia tem sido um ato de amor diário. E no fundo, é isso: aprender a se aquecer sozinha enquanto a vida costura, com calma, os próximos encontros.




