O eco do que não disse
Há uma dor que não sangra, mas corrói em silêncio: a de saber que feri quem mais amei. Não foram só palavras, foram ausências, omissões e gestos que carregavam o peso da minha imaturidade. Eu vi o brilho nos olhos dela apagar aos poucos, e segui fingindo que não percebia; talvez por medo, talvez por orgulho. Hoje, revisito cada cena em que ela esperou por um afeto que não dei, e percebo que o que eu mais queria preservar foi justamente o que destruí com as minhas mãos inseguras.
O arrependimento mora onde ela costumava sorrir pra mim; num lugar onde o tempo não volta, mas insiste em repetir as lembranças. Não existe consolo suficiente quando a culpa se entrelaça à memória do amor verdadeiro. Eu não me arrependo de tê-la amado; me arrependo de não ter amado melhor. E o mais cruel é saber que, mesmo implorando por perdão, há feridas que não se fecham; porque algumas dores ensinam tarde demais.




